OQ?
Julho 15, 2008
Eu penso. E penso na incapacidade de pensar que move a nossa digníssima sociedade hipócrita. A irritação é cada vez mais constante com a IGNORÂNCIA disfarçada de simpatia. Ou seja lá do que for. O mais triste é ver a difusão da ignorância. Isso mesmo. Jovens com uma vida acadêmica ?invejável? esquecem tudo que ?aprenderam? nos livros e agem de forma estúpida. A busca é cada vez menor. Não existem sonhos, não existem ideologias, não existe vida-além-dos-incríveis-contos-de-fadas-que-nos-são-empurrados-guela-abaixo. O comodismo talvez seja a palavra mais adequada para representar a sociedade que cultua ex-BBBs e se quer lembra em quem votou. Os livros são deixados de lado, a cultura é trocada por qualquer futilidade mais popular. A revolta de poucos por dias melhores é vista como loucura por muitos. A capacidade de compreender a alienação coletiva faz-se cada vez menor por aqui. Pessoas são diferentes. Os projetos são diferentes. Os sonhos são diferentes. Os ídolos são diferentes. A vida é assim. Normal. Mas o que traz mais revolta é a ausência de tudo isso. Os dias seguem iguais. A mediocridade parece dominar. Falta um monte de coisa. E não dá pra simplesmente fingir que nada acontece. Não dá pra ignorar o quão perto do chão estamos. É triste. Estamos caindo sem se quer tentar uma reação. Enquanto isso… nada acontece.
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Julho 14, 2008
Cores, filmes, dias, sonhos, canções, madrugadas, pensamentos, acordes, pessoas, passos mais lentos, porém, mais eficazes. Menos sonhar. Mais viver. Mas viver com sonhos. Com pequenos detalhes. Com rabiscos de idéias (…)
Voltando. (Ou planos pro mês 7).
Julho 9, 2008
Começando de novo. Ou recomeçando. Comentando fatos de dias frios. Criando. Contando. Livros. Espaços. Vazios. Muita coisa. O centro da cidade é frio. Mas com boas companhias fica ainda mais agradável. Ainda mais sim, porque o frio é agradável. Desagradável são as pessoas frias. As palavras duras. Voltando e riscando algumas coisas. Promessas que se apagam. Certezas que ecoam no silêncio das madrugadas. Depois das 03h00min o silêncio é mais amplo. O silêncio é bom. Mas também é triste. Um monte de coisa é assim. Talvez isso sirva como filosofia de vida. As coisas são boas e são tristes. As contradições permanecem. As canções com frases limpas também. E permanecerão por muito tempo. Voltando e tentando entender as mesmas coisas de sempre. Ou tentando entender que as coisas não são feitas para serem entendidas. A vontade de criar é grande. Mas pra criar é preciso organização. Então lá vai, voltando e prometendo mais organização daqui pra frente. E principalmente, voltando sem esperar nada. De ninguém.
Será que será que será que será…
Junho 19, 2008
As dúvidas passeiam sobre a estrada inacabada. Tudo é muito pouco. Por ser pouco, sempre falta. E falta ar por aqui. Ou mais que isso. Faltam caminhos. O certo talvez seja a coisa mais incerta que nos cerca. Faltam novos horizontes. Faltam alegrias menos maquiadas. As tristezas são cinzas. Mas nem todo cinza é triste. Nem toda certeza é certa. Nem toda palavra é sincera. As mentiras não são mentiras se não queremos mentir (?). É mais forte. É mais fraco. É mais nada. A dúvida é o primeiro, e maior passo para as descobertas. Mas sem excessos. Mas sobra excesso. E por ser muito, é negativo. Os seus risos são sinceros? Meus rabiscos ainda seriam honestos? Pra que serve tudo, quando tudo é quase nada? Pra que serve? Você pode estar aí. Ou não. Pode responder. Ou não. Pode me ligar, me atender, conversar, entender. Ou não. Os sonhos são cinzas. Ou a realidade é cinza. Talvez o quadro seja cinza. E só cinza. Falta cor mesmo nas suas fotos mais coloridas. Ou os meus olhos não são mais capazes de enxergá-las. Não sei direito o que já vi. Mas lembro dos sonhos, dos dias, dos textos, dos recados. Lembro das palavras distraídas, disfarçadas. Das madrugadas, das poucas coisas que viraram muitas. Pelo menos por aqui.
[continua?]
‘maio já está no final’
Maio 30, 2008
Maio
já está no final
O que somos nós afinal
se já não nos vemos mais
Estamos longe demais
longe demais
Maio
já está no final
É hora de se mover
pra viver mil vezes mais
Esqueça os meses
esqueça os seus finais
esqueça os finais
Eu preciso de alguém
sem o qual eu passe mal
sem o qual eu não seja ninguém
eu preciso de alguém
(Paula Toller / George Israel)
Os versos estão certos. As mesmas canções, os mesmos livros, os mesmos finais de filmes nas madrugadas solitárias. Dando continuidade a fase de ‘ciclos e mudanças’, Junho será o mês das idéias. De organizá-las e ver o que realmente faz sentido. Ver o que ainda serve e o que deve ser jogado fora. Essa é a maior promessa pra Junho. Tenho alguns sonhos com datas marcadas também. Mas aí não depende só de mim. As mudanças de fato ocorreram. Poucas nesse mês, é verdade, mas ocorreram. Lendo algumas coisas antigas, vejo o quanto errei. Talvez fosse mais fácil em Novembro. Talvez fizesse mais sentido em Dezembro. Hoje tá mais complicado. ”Ausência” talvez seja a palavra do ano. Três ou quatro vezes essa ausência total foi transformada num outro tipo. Num grau menos elevado. Mais proveitoso. Mais agradável. ‘Menos ausente’. As idéias se misturam. As explicações tornam-se incompletas. Tá longe de ser fácil. Sei lá, pensando bem, antes eram apenas palavras. Eram constantes. Mas nada mais do que isso. Com o tempo as coisas mudaram um pouco. Quase nada. Ou quase tudo. Maio foi confuso. Assim como todos os outros meses desse ano.
[estrofe]
Maio 25, 2008
Falta a luz que dá vida as cores
Mas o cinza-céu de desamores
Passou a ser o meu lugar comum.
Alice [da série: bandas que você precisa conhecer]
Maio 23, 2008
“Traz seu sorriso pra lavar
e quem sabe um café
e quem sabe no jantar eu consiga ter
o que você não quer dar
um pouquinho de você que eu não tenha que tomar” (a casa vazia)
“O que você chama de amor,
Eu chamo de conveniência.
O seu amor é dependência,
E o meu rancor é poesia. ( antes da primeira lágrima)
“Pra cada muda um vaso
Pra cada muda muda
Pra cada tombo um passo
É muito pouco espaço
Pra tanto sono cedo
Pra cada medo, nego
É quase tudo falso” (08h00min)
“Que tal
Hoje eu fico de mal
Você não faz falta
-Você não faz falta
Nada disso é real
-Nada disso é real
Quanto tempo faz?” (17h12min)
Antes de ir diga que vai ficar
Meio que assim, peço sem implorar
Pobre de mim, não consigo chorar
É simples demais… simples demais
mais… (simples)
“Pra cada quadro que não sai
O tempo me distrai
De repente teu cheiro, um telefone antigo
Segredo, segredo” (15h25min)
“Um café frio demais sobre a mesa
Serve de sobremesa pro café de logo mais
Meu Deus! Foi sem querer.
Paz
Eu sei, mas…
Mas…” (09h10min)
A banda é formada por:
- Cícero Lins – Guitarra, voz e letras (um dos melhores letristas na minha opnião)
- Rodrigo Abud – Baixo
- Gilson Abud – Guitarra e efeitos
- Paulo Vitor – Guitarra e barulhos * no momento PV está sendo substituído por Jorge Junior
- Paulo Marinho – Bateria
A banda existe desde 2003. E nesse meio tempo já lançou dois cd’s, Anteluz e Ruído, além do videoclipe da música 09h10min.
Uma grande banda. Com letras lindas. Três guitarras. Melodias. Barulhos. Poesia.
Vale à pena conferir:
(…)é isso!
Desde 1885
Maio 23, 2008
“Mas guardou a recordação, nos dias seguintes, mais que a recordação, uma espécie de sensação, da presença irreal e persistente daquela mulher. Parecia-lhe ter ficado com qualquer coisa dela, pois a imagem de seu corpo ficara-lhe nos olhos, e o travo de sua maneira de ser em seu coração. Esteve sob a obsessão de sua imagem como acontece algumas vezes, quando se passam horas encantadoras perto de outra criatura.”
do livro ‘Bel – Ami‘ de Guy de Maupassant. [1885].
[Começo]
Maio 21, 2008
Um novo começo. Uma nova fase. A idéia aqui é falar um pouco mais de música. Mas sem esquecer de tudo que nos cerca. Não quero dizer, por enquanto, qual é a real intenção do blog. Até porque, não sei se existe apenas uma intenção.
Sem definições, sem alardes, sem grandes revoluções.
De tudo um pouco. Muito. Pouco. Começo. Fim. Re-começo.
Mais um bom espaço.
[O Sobre não ter o que dizer continua firme. Pelo menos por enquanto.]
O pouco que sobrou
Maio 21, 2008
“Eu cansei de ser assim
Não posso mais levar
Se tudo é tão ruim
Por onde eu devo ir?
A vida vai seguir
Ninguém vai reparar
Aqui neste lugar
Eu acho que acabou
Mas vou cantar
Pra não cair
Fingindo ser alguém
Que vive assim de bem
Eu não sei por onde foi
Só resta eu me entregar
Cansei de procurar
O pouco que sobrou
Eu tinha algum amor
Eu era bem melhor
Mas tudo deu um nó
E a vida se perdeu
Se existe Deus em agonia
Manda essa cavalaria
Que hoje a fé
Me abandonou “
[Marcelo Camelo]